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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

androginia, laerte cartunista

para que servem as placas indicativas de gênero na porta dos banheiros?

cartaz de cinema
do filme "transamerica"
antigamente quando não havia banheiros o costume era, com exceção do uso do penico, "desaguar no mato". naquela época havia um matinho para homens e outro para mulheres?

há separação de banheiros para homens e mulheres na sua casa?

como se sentem os jovens lgbt quando na escola se deparam com as placas indicativas nas portas dos banheiros que sinalizam "permitido para homem" e "permitido para mulher"? seguem à risca passando por cima de seus sentimentos?  ou simplesmente deixam essa questão para lá?
pai e filha
gradualmente o homem vem participando mais e mais da educação dos filhos. diante disso como deve agir um pai ao passear com sua filha pequena, que necessita de cuidados para ir ao banheiro? ignora a presença dos homens e leva sua filhinha ao banheiro masculino ou se sente no direito de avançar porta adentro do banheiro feminino? e no caso inverso, como deve agir uma mãe com seu pequeno filho, ainda em idade de cuidados? opta por usar o banheiro masculino ou feminino?
giovanna antonelli
e seu filho
essa separação, a meu ver, serve para causar constrangimento para todos e se o uso fosse livre, todos se beneficiariam.
frequento a "vida noturna paulista" desde o final dos anos 80, e desde essa época diversas casas noturnas, as comandadas por pessoas de mente mais "aberta", oferecem banheiros de uso compartilhado.
essa discussão vem ganhando amplitude na mídia, e recentemente,  depois que o cartunista ´laerte` veio a público (veja a reportagem no vídeo abaixo) reivindicar o direito de usar o banheiro feminino o assunto está ganhando espaço e muitos começam a se questionar.


como trabalho numa fundação que atende à secretaria estadual de educação de são paulo, venho acompanhando o dilema que as escolas públicas vivenciam quando questionadas pelos jovens lgbt.
esses jovens querem o direito de poder optar livremente pelo uso dos banheiros, pois muitos não se identificam com as tais "placas indicativas nas portas" e a direção das escolas acaba não tomando providências por estarem aguardando respaldo da secretaria da educação.
durante uma das reuniões de trabalho do projeto "escola sem homofobia" realizada em são paulo, em agosto de 2010, com educadores de diversos estados brasileiros, na qual tive a honra de estar presente, esse foi um assunto amplamente discutido com o objetivo de ampliar a reflexão e buscar soluções conjuntas.
o projeto "escola sem homofobia", mesmo com a chancela da ´unesco` , entre outras reconhecidas instituições, aguarda aprovação de brasília. é um projeto sério, de cunho pedagógico, feito com muito cuidado por profissionais competentes de diversas áreas, inclusive sociólogos, psicólogos e entre outros.

laerte coutinho
fiquei muito feliz que o laerte tenha trazido esse tema à pauta social. entre os muitos temas, é um de grande importância que todos devem ajudar a refletir e a encontrar uma solução pacífica, educativa e respeitosa.



"banheiro de uso livre", nesse momento, pode causar muita estranheza até mesmo entre o público lgbt, mas com o passar do tempo, conforme a discussão for avançando, assim como ocorre com qualquer assunto tabu, a mudança de paradigma é certa e sem volta.
para trazer um pouco de frescor a essa discussão, que pode esquentar os ânimos de muitos, ouça "androgyny" no vídeo abaixo, que em 2001 já discutia o tema.



música: androgyny
banda: garbage
disco: beautiful garbage - 2001

tradução
quando tudo está dando errado 
e você não consegue ver razão para continuar 
nada na vida está sacramentado 
não há nada que não possa ser mudado 
ninguém quer ficar sozinho 
todos querem amar alguém 
você poderia pegar uma ameixa da árvore 

por que simplesmente não ficamos todos juntos?

garotos no banheiro feminino 

garotas no banheiro masculino

você liberta a sua mente em sua androginia
garotos na sala de visitas 
eles estão pegando pesado 
eu libertarei a sua mente em sua androginia 
você não conseguiria encontrar um sabor mais doce 
do que a fruta madura na videira nunca houve uma ostra tão divina 
um rio profundo que nunca seca 
os pássaros e as abelhas cantam juntos 
como tesouros que cintilam ao sol 
embarque e divirta-se pegue o que precisa para te excitar 
por detrás de portas fechadas e sob estrelas 
não importa onde você está 
colecionando jóias que chamam a sua atenção 
não deixe uma alma gêmea passar direto por você.


por tatá - ataulfo santana


perfis








fonte: letrascombr

6 comentários:

  1. Li e acho um assunto sem nenhuma importância a loucura do Laerte travestido de mulher querendo ser tratado como tal. Sobre as placas indicativas é só uma questão organizacional e de saúde.
    Acho que a luta deve ser para criar leis que garantam reação da justiça e conscientização de consequências de atos de pessoas intolerantes. Em alguns momentos ( e não falo deste artigo), os gays estão enquadrando tudo que existe contrário a eles (nós) como homofobia.
    Acho ótimo se os banheiros fossem sem indicação de utilização, desde que as pessoas soubessem se comportar e manter padrões de higiene. Acho difícil que um povo muito do mal educado saber isso. Admiro o trabalho de pessoas com a educação do país, tenho uma irmã formadora de professores na Secretaria Estadual da Educação, e sei que a mudança tem de vir por esta via.

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    Respostas
    1. querido Robson!

      fiquei feliz com sua participação! esse é o primeiro artigo de minha autoria e em apenas 30 minutos após publicado já recebeu um comentário, o seu!

      o br gay é um espaço de reflexão e troca. o mais importante é que as pessoas possam se expressar livremente e com isso consigam participar da construção de uma vida mais cidadã para a população lgbt.

      comente com sua irmã sobre o artigo, fiquei curioso para saber a opinião dela.

      um beijão,

      Tatá

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  2. Texto importantissimo, parabéns a autora. Já sofri muito pelo fato dos espaços publicos insistirem em dividir as pessoas pelo sexo. E pra quem reinvindica o terceiro sexo, como fica? Não usa o banheiro? Explode?!

    O Robson parece que ainda não entendeu que apesar de todo um discurso "civilizatório" não se pode dividir a humanidade dicotomicamente em "homem X mulher". Na pratica a diversidade é muito mais rica do que isso. E não se trata de um problema de "saude", mas de um projeto segregacionista que impoe esse modelo dicotomico a força. Basta.

    Continue escrevendo Tata. Vou "feedar" seu blog no meu.

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    Respostas
    1. olá, Erzulie (agora também parceira!)

      uauuu!!! adorei seu jeito franco de escrever! você está coberta de razão, a sociedade precisa discutir o assunto mais profundamente.

      que bom que você gostou do meu texto, isso me anima a continuar escrevendo.

      visitei seu blog, muito legal! como você mesma diz, vou "feedar" também!

      bjs e um abraço carinhoso do seu novo fã: Tatá

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  3. gente, essa foto aí não é do Laerte!!!!! é de uma mulher aí, alguma coisa na Petrobras. se foi de propósito, eu não entendi.

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    Respostas
    1. muitíssimo obrigado, Anônimo!

      justiça feita, a foto já foi substituída.

      beijos do Tatá

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